Trabalhar seis dias para descansar apenas um — essa é a realidade de milhões de brasileiros. E ela pode estar com os dias contados, mas o caminho para a mudança pode não passar diretamente pelo Congresso.
Na noite de terça-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs que a proposta de lei para o fim da escala 6×1 seja construída em conjunto por empregados, patrões e o governo. A declaração gerou repercussão imediata — e levanta uma questão importante: quem vai sentar à mesa primeiro?
O que Lula propôs sobre o fim da escala 6×1
A declaração ocorreu na abertura da Segunda Conferência do Trabalho, realizada em São Paulo, no Anhembi, com duração prevista até o dia 5 de março de 2026.
O presidente deixou claro que, na visão do governo, um acordo negociado entre as partes é mais vantajoso do que aguardar uma decisão legislativa imposta pelo Congresso.
“É melhor vocês construírem negociando do que vocês terem que engolir uma coisa aberta [vinda do Congresso], e depois ter de recorrer à Justiça do Trabalho.”
Em seguida, reforçou: “Tanto será melhor para nós se o que sair for o resultado de um acordo entre os empresários, os trabalhadores e o governo.”
Por que negociar antes pode ser mais vantajoso
Quando uma lei trabalhista é aprovada sem consenso, ela costuma gerar disputas judiciais por anos. Uma solução construída de forma coletiva tende a ser mais estável, mais respeitada pelas partes e com menor risco de contestação na Justiça do Trabalho — exatamente o argumento central de Lula.
O governo como mediador, sem tomar partido
Um dos pontos mais relevantes do discurso foi o posicionamento do Executivo como mediador neutro do processo.
O presidente afirmou que o governo não irá “pender para um lado” nas discussões: “Não iremos prejudicar os trabalhadores. E também não queremos contribuir com o prejuízo da economia brasileira. Nós queremos contribuir para, de forma bem pensada, bem harmonizada, encontrar uma solução.”
Esse equilíbrio é estratégico. De um lado, há pressão popular pelo fim da escala 6×1 — uma pesquisa de fevereiro de 2026 mostrou que 73% dos brasileiros apoiam a mudança. Do outro, o setor empresarial alerta para impactos nos custos operacionais e na contratação de mão de obra.
O que é a Segunda Conferência do Trabalho
O encontro no Anhembi visa, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, estabelecer diretrizes para a promoção do trabalho decente no Brasil e fortalecer o diálogo social e a construção coletiva de políticas públicas.
O evento reúne representantes sindicais, confederações empresariais, pesquisadores e gestores públicos. É, portanto, o espaço mais adequado para avançar no debate sobre a jornada de trabalho sem o ônus de uma decisão unilateral.
Fim da escala 6×1: o que está em discussão
Antes de qualquer votação, vale entender o que de fato está sendo avaliado:
- Escala 5×2: trabalhar cinco dias e descansar dois, modelo mais próximo da semana padrão.
- Semana de quatro dias: proposta adotada em experiências internacionais com resultados positivos de produtividade.
- Impacto salarial: ainda sem definição sobre se haveria redução proporcional de salário.
- Diferenças por setor: comércio, saúde e transporte têm dinâmicas próprias que complicam uma solução única.
O que os trabalhadores esperam
Para quem trabalha no varejo, em hospitais ou em serviços de atendimento, a escala 6×1 significa pouco tempo para cuidar da saúde, estudar ou estar com a família. A mudança, se implementada de forma equilibrada, pode representar um avanço concreto na qualidade de vida — algo que, segundo especialistas em saúde do trabalho, também impacta a produtividade a longo prazo.
O que vem a seguir
Com a conferência em andamento até 5 de março, os próximos dias devem indicar se haverá avanço concreto nas negociações. Caso o diálogo trave, o governo sinalizou que pode encaminhar um projeto de lei com caráter de urgência ao Congresso.
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