Sete em cada dez brasileiros querem trabalhar menos dias por semana — e o governo federal já tem uma proposta concreta na mesa do Congresso.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 saiu das redes sociais e chegou com força ao Legislativo e ao Executivo. A maioria dos brasileiros é favorável ao fim da escala 6×1, na qual o trabalhador trabalha seis dias seguidos e tem apenas um dia de descanso, aponta pesquisa do Datafolha publicada em março de 2026.
O número é alto, e o debate tem ganhado contornos políticos cada vez mais definidos em um ano eleitoral. Mas o que está realmente em jogo nessa discussão? Quem ganha, quem perde e o que muda na prática para o trabalhador brasileiro?
O que é a escala 6×1 e por que ela está sendo debatida
A escala 6×1 é um regime de trabalho em que o empregado cumpre seis dias de atividade para cada dia de folga. Ela está prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e é amplamente utilizada em setores como varejo, alimentação, segurança e serviços.
Como funciona na prática
Com essa escala, um trabalhador que começa na segunda-feira descansa apenas no domingo. Na semana seguinte, pode descansar na segunda. A rotação de folgas torna irregular o tempo disponível para família, lazer e cuidados pessoais.
O modelo contrasta com a escala 5×2, que já é padrão em escritórios e no funcionalismo público — e que garante dois dias consecutivos de descanso por semana.
Fim da escala 6×1: o que os dados mostram
De acordo com o Datafolha, 71% dos entrevistados defendem que o número máximo de dias de trabalho semanais no Brasil deveria ser reduzido, enquanto 27% afirmam que não deveria. Apenas 3% não responderam.
Esse resultado representa crescimento em relação à pesquisa realizada entre 12 e 13 de dezembro de 2024, quando 64% disseram ser favoráveis ao fim da escala nesses moldes, enquanto 33% disseram ser contra.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios do país, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Quem mais apoia a mudança
As mulheres são as que mais apoiam a mudança na escala de trabalho: 77% se posicionaram a favor da redução, enquanto esse percentual entre os homens é de 64%.
Isso não é por acaso. Em seu pronunciamento do Dia das Mulheres, o presidente Lula defendeu que a redução da jornada poderia ajudar sobretudo mulheres trabalhadoras, que muitas vezes acumulam, além da jornada tradicional, outras tarefas domésticas.
Ministro do Trabalho defende redução imediata da jornada
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu em 13 de março de 2026, durante reunião com representantes do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo (Sescon-SP), o fim da escala 6×1.
Para o ministro, a mudança vai além do descanso. Ele afirmou ser preciso criar um ambiente de evolução que leve à satisfação no ambiente de trabalho, argumentando que o trabalhador feliz melhora a qualidade e a produtividade, diminui o absenteísmo e reduz o impacto de doenças mentais.
A proposta do governo: de 44 para 40 horas semanais
Marinho ressaltou que o governo é favorável à redução imediata da jornada de 44 para 40 horas semanais e reiterou o apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 221/2023, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que prevê uma redução inicial de quatro horas, seguida de novas diminuições graduais ao longo dos próximos anos.
O ministro foi claro sobre os limites dessa etapa: o governo entende que não caberia ir imediatamente para 36 horas, e que qualquer avanço nesse sentido precisaria ser feito com base em análises técnicas e planejamento gradual.
O debate no Congresso: onde está a PEC
A Câmara dos Deputados realizou, em 10 de março de 2026, uma audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para discutir propostas sobre alteração do modelo da jornada de trabalho. A aprovação da matéria no colegiado é o primeiro passo para que o tema comece a andar no Legislativo.
O avanço na CCJ é necessário antes de qualquer votação em plenário. O processo legislativo de uma PEC é mais lento do que o de um projeto de lei comum, exigindo aprovação em dois turnos em ambas as Casas do Congresso.
Impactos para empresas e trabalhadores
O que os brasileiros acham dos efeitos econômicos
Quando questionados sobre o impacto para as empresas, os entrevistados se dividem: 39% acreditam que o fim da escala 6×1 trará efeitos positivos, enquanto a mesma porcentagem acredita que terá impactos negativos.
Já em relação à economia em geral, 50% afirmam que o fim da escala 6×1 terá um efeito ótimo ou bom, enquanto 24% acreditam que terá um impacto ruim ou péssimo.
Quando questionados sobre os impactos para os trabalhadores, 76% dizem acreditar que a redução será ótima ou boa para a qualidade de vida.
Por que autônomos e empresários são mais resistentes
Entre os entrevistados que trabalham seis ou sete dias por semana, 68% apoiam a redução, frente a 76% dos que já trabalham em escala menor. Isso porque a maior proporção de autônomos e empresários está no grupo de jornada mais longa, e para eles trabalhar mais tempo pode significar renda maior.
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